30 de abril de 2017

A BENÇÃO DO TRABALHO


Não sou nenhum grande entusiasta pelo 1º de maio. Para mim, trata-se de mais um momento em que a velha fórmula romana do "pão e circo" é usada em larga escala. A data é oportuna para que os sindicatos, em especial, com suas lideranças que odeiam alternância de comando, tentem mostrar o que jamais conseguiram fazer.

Em um contexto social saudável, os sindicatos já foram (ou deveriam ter sido) o espaço de expressão dos anseios de suas respectivas categorias. Seria o lugar que garantiria a segurança para que colaboradores de uma empresa reivindiquem a participação nos lucros, sem que isso se torne um martírio com supressão de horas extras, redução de benefícios ou coisa que o valha.

Todavia, dado o estado de enfermidade social crônica que nos encontramos, o que deveria ser espaço para a promoção de grupo, hoje é muito mais plataforma para venda da imagem de pseudo-salvadores da pátria. Basta olhar a lista de candidatos nos pleitos municipais, estaduais e federais. É um tal de 'Vote no Quincas - Sindicato das Botas' ou 'Esse faz e acontece - Sindicato dos Penicos'. 

Não demora, teremos o Sindicato dos Defuntos. Como será a manutenção do caixa que garante tudo aos dirigentes e entrega o nada aos sindicalizados? Aí, de novo, vai ficar com os vivos. Será um sindicato com a propaganda: 'Pague agora, para que lutemos por seus restos depois'. Ou, 'Inicie seu plano de representação pós-morte. Vamos garantir que seu título de eleitor seja sepultado com você'.

Ironias à parte, ainda que tenha pouca afeição pelo se faz em torno do Dia do Trabalhador, entendo que é preciso refletir na relevância do trabalho. 
Mais que comemorar alguma eventual conquista ou lamuriar-se por direitos que alegam cerceados, acredito que deveríamos refletir mais e melhor no que somos enquanto mão de obra economicamente ativa.

Tinha um grupo de colegas de trabalho que sempre me ouviam reclamar de uma pauta: aposentadoria. Fiquei louco? Não. Reclamava porquê, à época, se tratavam de pessoas que estavam com corpo de 30 (condição atual), pensando como já tivessem um corpo caquético de 100. Não raro, pedia para mudar o rumo da prosa ou me ausentava. 
Sabe aquelas contas do 'quanto tempo falta para eu parar de trabalhar'? Sempre achei isso deprimente. Se ficamos nesta expectativa pelo dia que vamos 'parar de trabalhar', somos enlaçados por uma gama de coisas que nos impedem de sermos o melhor possível agora.

Querer se aposentar para "parar de trabalhar" é um objetivo pobre. Fica parecendo que o trabalho não é uma benção. Chega a soar como se fora uma maldição. Não raro há pessoas afirmando que Deus "castigou" Adão e Eva com o trabalho, após comerem do fruto proibido. Errado. O acréscimo na rotina de Adão foi comer a partir do "suor do seu rosto". Porém, antes de desobedecer a ordem divina, eles lavravam e guardavam o Éden.

Isso posto, o homem já trabalhava antes de transgredir o único "não" dado pelo Criador. Infelizmente, por razões que não vêm ao caso agora, nossa cultura assimila o trabalho com a servidão, o ser escravo, ser explorado etc.
Entretanto, uma mente sã vai olhar para o trabalho como oportunidade de criar, cooperar, desenvolver, fazer crescer. Se encaramos assim, o respeito pela função do outro é uma das primeiras coisas que se instala nas relações de trabalho.

Isto é, o lixeiro não vai ser desprezado pelo advogado; o faxineiro não é desmerecido pelo administrador; o servente não é humilhado pelo engenheiro, pois todos percebem a relevância da sua função. 
Afinal, se eu não limpar o excremento do cavalo em sua baia, o hipista não terá um animal saudável para competir e não será campeão. Acredito que uma boa forma de comemorar seria reconhecermos o quanto precisamos uns dos outros.

15 de abril de 2017

O SHABAT DA MORTE

Início da tarde de um sábado desses na tumultuada Jerusalém. Os eventos iniciados na noite de quinta, que invadiram a madrugada de sexta e culminaram às 3 horas da tarde com o último suspiro do Cordeiro, eram pauta do momento entre as famílias, mas nada que alterasse suas rotinas.


Por ser sábado, havia o rigor da lei limitando atividades. Era dia de descanso. Para quem não tinha qualquer vínculo com o Jesus de Nazaré, era só mais um sábado.


Quem tinha ouvido falar dele e chegou a esperar sua manifestação com um poder bélico para escorraçar Pilatos, Herodes, os soldados romanos e toda corte de César, guardava o sábado e se ressentia da frustração. Era gente que não tinha entendido que o "reino" de Jesus não era o da terra, e o trono que ele queria ocupar, não estava em qualquer palácio, mas no coração do homem.


Este Shabat jamais foi apagado da memória daqueles que andaram com Ele, ouviram seus ensinos e viram seu exemplo por 3 anos.


Todos já sabiam que Judas havia se enforcado. Aqui, um misto de frustração e satisfação. Afinal, já se sabia da tramoia entre o traidor e os políticos corruptos que arrepiavam-se com a popularidade e autoridade de Jesus.


Pedro estava afogado em sua angústia por lembrar das três vezes que negou ser amigo do Nazareno. João, último ao pé da cruz, devia estar tentando consolar Maria acerca de quem recebeu a incumbência do próprio Jesus de cuidar dela como se fosse sua mãe.


Os demais deviam estar com flashes cruciantes das chicotadas, das cusparadas, do clamor da multidão pela liberdade de Barrabás, um réu confesso, e sua reação ensandecida determinando a crucificação do Filho de Deus, um inocente mudo.


Como viraram a madrugada de quinta para sexta em claro e ficaram atônitos ao longo de todo o dia por conta do julgamento falso e execução da pena, o estado físico devia ser deplorável. Mesmo com todo o cansaço da sexta-feira, dificilmente conseguiram dormir. Aquele sábado devia não existir.


Depois de 3 anos andando por todas as partes ao lado do Mestre, ele não estava mais ali. Não se podia mais ouvir sua voz. Não dava para perceber seus passos. Não havia crianças tentando sentar no seu colo ou prestando-lhe o mais perfeito louvor. Seu sorriso, seu olhar, seu toque. Tudo agora era só lembrança.


O corpo inerte estava em processo para que, após completa decomposição, fosse possível guardar os ossos em uma urna. Só havia satisfação no reino de Belial e nos porões do império romano. Afinal, conseguiram matar o Filho de Deus!

É POSSÍVEL EXTRAIR DIAMANTE DA LAMA, MAS NÃO SE TIRA PÉROLAS DAQUILO QUE O INTESTINO GROSSO DISPENSOU


Então, né... que os políticos e seus piolhos receberam bilhões da Odebrecht todo mundo já sabe. Fico impressionado com o teatro de quinta, na tentativa de fingir perplexidade. Existem outras empresas que também devem ter feito coisa em menor monta, mas "financiou campanhas" e que não entrou, nem sei se vai entrar, no radar da Lava Jato. A essa altura já acredito em um grupo assumindo a máxima culpa, para que outros continuem seus esquemas.

Além de usarem o dinheiro sujo para manutenção da vida nababesca, com jóias caras, iates, mansões, sítios, jatinhos, helicópteros, festas épicas o que mais foi feito com isso?

Idiotas e imbecis de toda ordem, judiciário, imprensa, políticos que se safaram (por enquanto) estão com o foco apenas nos políticos destacados para o circo. Por que ninguém questiona sobre as bocas famintas de pilantras, canalhas, corruptos e corruptores do populacho que também se beneficiaram com uma ínfima parte do esquema-de-podridão-nacional? Sim! O dinheiro desviado dos cofres públicos ou, em última instância, de pequena parte dos lucros das empresas, foram parar no intestino grosso do povão.

Quanto dos bilhões de caixa 2, foram parar no bolso de vagabundos picaretas que saem de comitê em comitê eleitoral pedindo cesta básica, pagamento de água, luz, telefone, viagem para sepultar o tio-avô da sogra do primo de segundo grau, assinatura de TV, plano de banda larga, crédito de celular, ônibus para caravanas com todo tipo de destino de prostíbulo a igreja?

Quanto dos bilhões de caixa 2, foram usados para pagar a carona do vagabundo morto-de-fome, de casa até a seção eleitoral? Quantos da gentalha que, neste momento, pode estar aí fingindo moralidade, fingindo-se estarrecida com os esquemões nos quais aparecem partidos para todos os gostos?

Quantos destes canalhas que querem ser identificados como cidadãos de bem, venderam, vendem e venderão a própria consciência por R$ 50 ou R$ 100 apenas para mostrar a gravação ou foto de que digitou o número do candidato que está bancando sua miséria?

Uma vez documentado o crime, a onça ou garoupa, via de regra, vira urina em meia dúzia de latas de cerveja ou doses de água ardente que se toma no boteco no final da rua, em meio a gargalhadas e piadas do tipo: "me-dei-bem-nas-costas-do-otário".

Afinal, este é o tipo de gente que nem sabe diferenciar safra de vinho para, na pior das hipóteses, comprar um produto da vide com mais requinte que cevada ou cachaça.

#ListaDoFachin #CarasOcultas

 
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